Quando vi você, ouvi uma canção. E ela soava tão alto que eu me perguntava como as pessoas naquele lugar não podiam ouvir. Então, indo contra as convenções, te tirei pra dançar. Segui o seu ritmo, e era você quem me guiava nessa dança. Ora, não é assim que deve ser? Pois assim foi.E nós começamos tão desajeitados, tentávamos ajustar nossos passos... Nós ríamos tanto um do outro; dos nossos erros, que em alguns momentos a melodia era abafada pelo som do nosso riso.
De repente você parou de dançar, e eu parei também. Esperava que você me trouxesse pra perto e começássemos uma nova dança. Entretanto, você parecia não ouvir mais. A melodia continuava, mas só pra mim, e era tão bela, e tão envolvente, que eu quase não pude conter a vontade de continuar dançando.
Os seus pés não se moviam mais em minha direção e sua mão abandonou a minha; seu riso cessou. Imóvel, eu o fitava. Permaneci ali parada, fechei os olhos e ainda podia ouvir a nossa canção. Então eu orei. Ah! Como eu orei. Supliquei ao pai, que fizesse você ouvir novamente, que abrisse os seus olhos; os seus braços; o seu coração; a sua mente pra mim. Eu só queria dançar com você, uma dança incansável e permanente. Queria que você colocasse nessa dança, todos os sentidos, os sonhos, os medos e traumas, queria ver você sorrir e chorar, mas sem soltar a minha mão.
Eu ainda posso ouvir essa canção. Vamos dançar, querido!
Nenhum comentário:
Postar um comentário