Deus, o poço e uma mulher
Olhava aquela mulher à beira do poço em Samaria conversando com Jesus e sentia como se estivesse na posição dela. Assim como ela, eu vivi situações que fugiram ao meu controle, do mesmo modo tive minha vergonha revelada aos olhos Dele; assim como ela, eu tinha muitas perguntas sem resposta.
Dentre tantos questionamentos, um queimava a minha mente e coração: como adorar a Deus? Por várias vezes voltei àquele poço tentando sentir o mesmo conforto que a resposta de Jesus proporcionou ao coração daquela mulher, mas não senti. A resposta que ela recebeu parecia não servir pra mim, pois ela sugeria outra questão: como adorar? Eu já sabia que o importante não era o lugar. Mas então como adorá-Lo?
Durante muito tempo aquela cena ficou na mente e uma pergunta ecoava. E eu orava: Pai, eu quero adorar-te, mas não sei como fazê-lo. Quero tocar o teu coração e conquistar um sorriso Teu, mas como? O que eu poderia oferecer-Te?
Para piorar a situação, certa noite na igreja ouvi alguém cantar: “ te darei o meu Isaque em sinal da aliança que tenho contigo”, isso em referência ao sacrifício de Abraão. Foi aí que eu surtei. Pois percebi que além de não saber como adorar eu não tinha o que oferecer. Eu não tinha um “Isaque”.
Naquela noite, e nos dias que se seguiram, o meu coração parecia estar se rasgando. Avaliei toda a minha vida e pesando a minha existência não pude encontra algo de valor para oferecer ao Deus que me amou primeiro. Noite após noite eu me recusava a cantar aquela música.
Um dia, no silêncio do meu quarto, deitada com a bíblia sobre o peito e o olhar fixo no teto, me ocorreu o seguinte pensamento: para Abraão Deus se revelou o próprio amor, pois poupou a Isaque; para Moisés, Ele foi a provisão e a direção; para Miriã e Arão, reconsciliação, livramento e cura; para José, Ele foi a força, o amparo e a recompensa; para Paulo, a própria revolução; para Estevam, Ele foi o céu aberto; Para Davi, a paixão e o zelo; para Salomão, a sabedoria e para Herodes e Nabucodonosor a ira e a vingança. Eu poderia citar outros personagens e a maneira como vejo Deus se revelar a todos eles, mas e quanto a mim, quem é Deus pra mim? Foi a partir de então que me foi revelado o caminho para a questão da adoração. Ele finalmente tinha respondido à minha pergunta.
Era tão óbvio e eu não podia entender. Como eu poderia adorar a um Deus que eu não conhecia profundamente? É como querer presentear a um desconhecido (ou conhecido que não se conhece bem). Nunca saberemos que presente escolher até partirmos em busca de informações sobre aquela pessoa.
Quando criança sempre sabia quando meu pai estava chegando só pelo som dos seus passos, nunca errava. Eu tinha treinado o meu ouvido para reconhecer suas pisadas. Já a minha mãe eu reconhecia pelo modo como as coisas tinham sido organizadas. Eu sabia exatamente quando era ela quem tinha arrumado alguma coisa no meu quarto.
A resposta está, portanto, em conhecer a Deus. Conhecê-lo com emoção e com razão. Reconhecer sua voz, seu cheiro, seu gosto, seu toque, enxergá-lo mesmo com os olhos fechados. A tal mulher à beira do poço só foi capaz de reconhecer o messias, porque o conhecia através das escrituras. Se nós não o conhecemos pela sua palavra e pelo "andar junto" não seremos capazes de reconhecê-lo.
sexta-feira, 19 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Vamos dançar, querido.
Quando vi você, ouvi uma canção. E ela soava tão alto que eu me perguntava como as pessoas naquele lugar não podiam ouvir. Então, indo contra as convenções, te tirei pra dançar. Segui o seu ritmo, e era você quem me guiava nessa dança. Ora, não é assim que deve ser? Pois assim foi.E nós começamos tão desajeitados, tentávamos ajustar nossos passos... Nós ríamos tanto um do outro; dos nossos erros, que em alguns momentos a melodia era abafada pelo som do nosso riso.
De repente você parou de dançar, e eu parei também. Esperava que você me trouxesse pra perto e começássemos uma nova dança. Entretanto, você parecia não ouvir mais. A melodia continuava, mas só pra mim, e era tão bela, e tão envolvente, que eu quase não pude conter a vontade de continuar dançando.
Os seus pés não se moviam mais em minha direção e sua mão abandonou a minha; seu riso cessou. Imóvel, eu o fitava. Permaneci ali parada, fechei os olhos e ainda podia ouvir a nossa canção. Então eu orei. Ah! Como eu orei. Supliquei ao pai, que fizesse você ouvir novamente, que abrisse os seus olhos; os seus braços; o seu coração; a sua mente pra mim. Eu só queria dançar com você, uma dança incansável e permanente. Queria que você colocasse nessa dança, todos os sentidos, os sonhos, os medos e traumas, queria ver você sorrir e chorar, mas sem soltar a minha mão.
Eu ainda posso ouvir essa canção. Vamos dançar, querido!
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